02 maio 2013

O que hoje Conhecemos por TDAH?


O que hoje conhecemos como TDAH, é uma disfunção neurobiológica, de causa predominantemente genética, e por isso mesmo crônica, ou seja, persiste por toda a vida do indivíduo.

Já foi descrito por muitos outros nomes, como por exemplo, DCM (disfunção cerebral mínima), lesão cerebral mínima, síndrome da criança hipercinética, síndrome hipercinética, etc.
A primeira descrição médica é de 1902 feita por um médico inglês, George Still. Mas se formos a literatura encontraremos descrições dos comportamentos de algumas crianças muito semelhantes as que temos atualmente em datas muito anteriores.
Por isso é fácil verificar, pela literatura, que o TDAH não é um transtorno novo, nem é um modismo, nem foi inventado para vender remédio. As pesquisas também comprovam que os sintomas são os mesmos em qualquer lugar, isto é, os sintomas de TDAH são os mesmos no Brasil, na Índia, na Bélgica, na África, etc.
Inicialmente pensava-se que era uma disfunção da Infância. Mas com a continuidade das pesquisas e das observações nos consultórios, começou-se a perceber a permanência dos sintomas na Adolescência e na idade Adulta.
Não é um transtorno raro, já que incidência é de 5 a 8 % na infância, em estimativas bem conservadoras.
O TDAH se caracteriza pela tríade: Hiperatividade, Impulsividade e Desatenção. E como é um transtorno DIMENSIONAL (que depende da intensidade dos sintomas e não da presença ou ausência deles), é preciso que esses sintomas se apresentem por mais de seis meses, em mais de um ambiente e que causem problemas na vida da criança. Mas não basta apresentar essas características. Para que se faça o diagnóstico é preciso que vários critérios sejam satisfeitos. O DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Americana de Psiquiatria) é a classificação de doenças usada para se fazer o diagnóstico, que deve ser feito por um profissional habilitado, que realmente se dedique ao estudo do TDAH.
Nunca é demais lembrar que o diagnóstico é sempre e apenas clínico. Não existem até o momento exames complementares (tomografia computadorizada, ressonância magnética e outros) ou testes de quaisquer tipos que sejam diagnósticos. Esses complementos atuam apenas como auxiliares do diagnóstico. Por isso é fundamental a conversa com o paciente, sua família e se possível com a escola, a colheita cuidadosa da anamnese (dados da vida e evolução do paciente) e a observação deste.
Em geral as crianças são agitadas, não param quietas, falam muito, não conseguem esperar, sobem em tudo, correm, querem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas de uma maneira claramente mais intensa que a maioria das crianças. As pessoas próximas sentem, percebem que aquele comportamento extrapola o comportamento observado na maioria das crianças conhecidas.
Mas existe uma forma de apresentação do TDAH, em que a Desatenção predomina e então as crianças não são agitadas, nem falam muito, e passam em geral despercebidas. É o tipo predominantemente Desatento, em que o sintoma predominante é justamente a desatenção. Em geral mais frequente nas meninas, na maioria das vezes não é diagnosticado, causando muitos danos pela falta de tratamento adequado.
São 3 as formas de apresentação do TDAH : predominantemente Hiperativo - Impulsivo, Combinado e predominantemente Desatento.
Na Adolescência e na idade Adulta esses sinais se modificam, a hiperatividade não se apresenta mais tão visível passando a ser mais uma sensação de inquietude, fazendo com que muitos pareçam muito atarefados, mas na verdade não fazem efetivamente muita coisa.
 A desatenção persiste quase inalterada, mas é mais facilmente disfarçada. A direção de veículos passa a ser uma atividade preocupante, já que eles não tem paciência ( impulsividade ) no transito, correm, tem dificuldade de respeitar sinais e leis em geral, ultrapassam sem necessidade e de forma imprudente, podendo causar graves acidentes.
Nesse momento o envolvimento com substâncias psico-ativas ganha relevância e o álcool aparece em destaque. Frequentemente o início do uso é precoce e intenso, tanto do álcool como de outras substâncias. Muitas vezes usados como formas de auto-medicação, já que o portador percebe que algo lhe acontece, mas não sabe identificar o que.
As pesquisas mostram que a etiologia (a causa) é fundamentalmente hereditária, com vários membros da família do portador também exibindo comportamentos compatíveis com o transtorno.
Um aspecto que atualmente se sabe fundamental são as Comorbidades (outras disfunções que acompanham o TDAH). São elas que dão o colorido especial a cada portador, muitas vezes dificultando ou mascarando o diagnóstico, fazendo do tratamento algo específico para cada um. As comorbidades são muito freqüentes, atingindo a bem mais de 50 % dos portadores, muitas vezes com mais de uma comorbidade.
O TDAH além de seus três sub-tipos pode ser acompanhado de:
Transtorno de Ansiedade,
Transtorno de Aprendizado,
Transtorno Depressivo,
Transtorno de Humor Bipolar,
Transtorno Opositivo - Desafiador,
Transtorno de Conduta
e outros menos frequentes.
Os três sub-tipos podem se combinar de várias maneiras com qualquer uma das comorbidades. Por isso o profissional a ser procurado para o diagnóstico e tratamento, deve ter não só um bom conhecimento do TDAH como também um amplo conhecimento dos diversos transtornos psiquiátricos que podem acompanhar o TDAH como comorbidades. Sua identificação é primordial, pois são elas que podem modificar as escolhas terapêuticas. É um assunto tão importante que mereceu uma seção específica, onde podem ser obtidas informações mais detalhadas (TDAH e suas Comorbidade ).

Luciana Fielsaiba quem é:
www.lucianafiel.com.br

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